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Dados do Trabalho


Título

Lições aprendidas após 20 anos de experiência com fratura de pênis.

Resumo

Objetivo: Relatar as lições que aprendemos após 20 anos de experiência no diagnóstico e tratamento cirúrgico da fratura de pênis (FP), juntamente com os resultados encontrados em longo prazo.
Material e métodos: Entre janeiro de 1997 e janeiro de 2017, pacientes com diagnóstico clínico de FP foram admitidos em nossa instituição e avaliados retrospectivamente. Dados epidemiológicos, da história e apresentação clínica, etiologia e achados operatórios foram sistematicamente revisados através da análise de prontuários. Os resultados do tratamento cirúrgico foram analisados através da avaliação das funções sexual e urinária.
Resultados: De um total de 288 casos de FP, o traumatismo sexual foi o principal fator etiológico, responsável por 255 casos (88,5%), dos quais 110 (43,1%) ocorreram na posição de “quatro apoios”, 103 (40,3%) com o homem por cima, 31 (12,1%) com a mulher por cima e 11 (4,3%) em outras posições sexuais. Os achados mais comuns na apresentação clínica foram hematoma (100%) e detumescência peniana (82,6%). Exames de imagem foram realizados em 45 (15,6%) pacientes, sendo a ultrassonografia em 19 (6,5%) e ressonância magnética do pênis em um (0,3%). Lesões unilaterais do corpo cavernoso foram encontradas em 199 pacientes (69%) e bilaterais em 89 (31%). Lesões uretrais foram observadas em 54 casos (18,7%). A ruptura completa da uretra foi associada à lesão bilateral no corpo cavernoso em 100% dos casos. Nove (14,7%) pacientes desenvolveram disfunção erétil e oito (13,1%) curvatura peniana. Nossos dados não identificaram correlação estatística entre o tempo de reparo da FP e complicações sexuais. Apenas dois (3,7%) pacientes tiveram complicações após a reconstrução uretral (fístula uretro-cutânea e abscesso subcutâneo).
Conclusão: A FP possui apresentação clínica típica e, na maioria dos casos, não há necessidade de exames complementares. Hematoma e detumescência peniana após o evento traumático são os achados mais frequentes. A atividade sexual foi a causa mais comum, sendo as posições de “quatro apoios” e com o homem por cima as mais prevalentes, e se associaram com lesões mais graves. Lesão uretral concomitante deve sempre ser considerada em casos de trauma de alta energia, como lesões bilaterais dos corpos cavernosos. Não existe um tempo ideal de reparo e um atraso de alguns dias pode ser aceitável. A reconstrução cirúrgica produz resultados satisfatórios. No entanto, pode levar a complicações, especialmente disfunção erétil e curvatura peniana.

Palavras Chave ( separado por ; )

Fratura de pênis; Lesão de corpo cavernoso; Traumatismo peniano.

Área

Disfunção Sexual

Instituições

Hospital Municipal Souza Aguiar - Rio de Janeiro - Brasil

Autores

Rodrigo Barros, Luciano Alves Favorito, Daniel Hampl, André Cavalcanti, Ricardo Almeida, Marcelo Medeiros, Leandro Koifman