Dados do Trabalho
Título
CANCER DE PANCREAS E O USO DE QUIMIOTERAPIA NEOADJUVANTE
Introdução
O câncer de pâncreas possui alta taxa de mortalidade devido a sua agressividade e ao diagnóstico tardio. Dada a sua complexidade, as alternativas de tratamento são limitadas e incluem a ressecção cirúrgica e as terapias neoadjuvante e adjuvante.
Objetivo
O objetivo deste estudo foi avaliar o uso da quimioterapia neoadjuvante como estratégia no tratamento de pacientes com câncer pancreático.
Casuística
Não houve pacientes incluídos no estudo.
Método
Realizou-se uma revisão de literatura no banco de dados PubMed com os descritores “pancreatic cancer”, “neoadjuvant chemotherapy” e “surgery” (n=2489), sendo selecionados apenas ensaios clínicos randomizados publicados nos últimos 10 anos e disponibilizados gratuitamente (n=23). Destes, foram escolhidos os artigos que apresentaram os 3 descritores em seus títulos (n=11). Após a leitura dos abstracts, foram descartados os ensaios que ainda não continham descrição de resultados (n=5).
Resultados
Cinco artigos foram utilizados na revisão. Um dos estudos avaliou a ressecção tumoral com margens negativas em câncer de pâncreas primário inoperável após uso de quimiorradioterapia neoadjuvante. Antes do tratamento, cerca de 5% dos pacientes apresentavam tumores aparentemente ressecáveis por imagens de tomografia computadorizada e, após o tratamento, houve aumento para cerca de 35% dos pacientes com recomendação para ressecção. Tambémm notou-se que a sobrevida livre de doença e a sobrevida global foram significativamente melhores em pacientes com tumores ressecados em relação àqueles que não foram operados. Em um segundo artigo, foi analisado o uso de dois esquemas terapêuticos diferentes de quimioterapia neoadjuvante, uma modificação de FOLFIRINOX e gemcitabina/nab-placitaxel. Foi mostrada resposta patológica completa em mais de 30% dos casos e ambos os regimes seguidos foram bem tolerados. Além disso, dois outros ensaios compararam o benefício entre a quimiorradioterapia neoadjuvante e a cirurgia imediata em cânceres ressecáveis de pâncreas. Contudo, ambos mostraram que a terapia neoadjuvante não causou melhora significativa na sobrevida global dos pacientes ou nas taxas de ressecção com margens negativas, mas apontaram que seja uma alternativa segura quanto à toxicidade, morbidade perioperatória e mortalidade. No quinto ensaio, foram estudadas características presentes nas imagens de tomografia computadorizada do câncer de pâncreas e sua relação com marcadores histológicos de resposta ao uso da quimioterapia neoadjuvante. Foi sugerido que as características texturais dos tumores presentes nas tomografias têm relação com a resposta à quimioterapia neoadjuvante, podendo ser empregadas como biomarcadores para prever a resposta à terapia.
Conclusões
A quimioterapia neoadjuvante mostrou-se como possível alternativa no tratamento de câncer de pâncreas avançado, podendo tornar tumores inicialmente inoperáveis em casos ressecáveis e sendo capaz de demonstrar uma resposta patológica completa. Contudo, não houve melhora significativa no uso do tratamento em comparação à cirurgia imediata nesse tipo de câncer.
Palavras-chave
Câncer pancreático. Quimioterapia neoadjuvante. Cirurgia.
Área
Pâncreas
Instituições
Universidade Federal do Mato Grosso - UFMT - Mato Grosso - Brasil
Autores
NATHALIA ADORNO SILVA, PRISCYLLA RANGEL BLASZAK, VINÍCIUS SANTIAGO ZORMAN, BEATRIZ COELHO DOS SANTOS, LUCAS RIBEIRO DE CASTILHO , ROSEMARY DE SOUZA OLIVEIRA, SHEILA QUEIROZ DE CAMPOS